sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Untitled #7

Larguei o meu espelho do tamanho do meu quarto. Agora é espelho do tamanho do céu!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ela, sozinha.

Eu a encontrei, lá de longe do portão
Jogada no chão, entre a fumaça e a dor, entre os cães e os demônios
Pela janela eu a vi, de longe lá de onde
A casa estava em chamas, assim como minha cabeça
E assim como minha cabeça não tinha fogo, não mais
Só fumaça

Irritado, desesperado, sem vinho e prazer, seu choro me fez perder
A roupa velha, ela, velha, no chão, lá do portão, chorando, pela janela, entre a fumaça
Expulsei com ódio os penetras porque ninguém havia sido convidado
Ele saiu, ela me disse, ele saiu ela gritou

E foi assim que eu a encontrei, e ainda bem que ele não estava aqui
Jogada no chão, chorando, sem ele e agora comigo, eu odioso ela diria
Bêbada, mas da cabeça-sem-cabeça, de tristeza, foi bem assim que eu a encontrei do onde
Da janela, longe, entre o chão, chorando com os cães, sozinha

Eu agora aqui,
Ela, sozinha.

Pra definir coração de aquário

Pra definir coração de aquário
Tão grande que cabe até peixe baleia, tão cheio 
Transbordando
Feito de areia e pressão
Reluzente transparente, pra todos e pra solidão

Pra não deixar incerteza e explicação de novo 
E novo
Já quebrado de mar, pesado de sal 
Vindo da lua pra baú de pirata

Pra explicar coração de aquário
Escrever no chão frio, abraço com o próprio umbigo
Caneta, papel, palavras e mãos.

Pra falar coração, mãos de polvo e muito chão

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Vômito

E foi uma surpresa quando ele apareceu. Com sua espada e escudo em mãos, estava ali a me encarar. Confiante postura, enorme sorrisos, lá estava. No seu caminhar até a mim, suas palavras me alcançavam. Seu corpo dizia-me que queria. Cada vez mais perto, deitou-se em cima de mim e pôs-se de guarda. Iria proteger-me, destruir meus medos e meus desejos, me tomaria como seu troféu. 

Um segundo de pulsação e cicatrizes se formavam em seu rosto. Marcas que eu não havia deixado apareciam por todo o seu corpo. Seus olhos, vermelhos como sangue de um corte recente, me encaravam com ódio. Em um último beijo ele riu, suas palavras agora vomitava em minha boca. Seu ódio, seu desprezo, um ácido gosto azedo, antes puro como leite, agora denso com saber de melancolia. 

Meu choro não o impediu. Suas palavras se espalharam pelos meus lábios rasgando até meus peitos. Enquanto minhas lágrimas lavavam meu rosto, ele gargalhava. Estava finalmente livre para alcançar as estrelas com seu riso brutal. Puxou-me até o chão ao tempo em que seu rosto já estava normal. Balançava a cabeça com euforia, sacudindo meus ossos com sua nova força e fitando minha alma com seus enormes olhos. Olhos que cresciam se transformavam assim como seu sorriso em corte. Segurei com ambas as mãos o seu pescoço antes que ele alcançasse minha alma com sua navalha. Então, como se estivesse diante de uma torre, declamou “minhas vitórias agora são destemidas, minhas conquistas grandiosas, meus prazeres estão saciados.” Em um último ataque de força, atingiu-me com seus punhos, marchou com seu desprezo por cima de meu corpo. Então partiu. 

No chão, observei o céu sem muitas estrelas. Não era mais dia, não era mais noite. A única existência era de meu corpo envolto em sangue.
LEIA O LIXO, RECICLE AS IDEIAS.